"Não se pode maternar sem sustentação. Não se pode maternar sem fusão emocional. Não se pode maternar sem buscar o próprio destino."
Laura Gutman, terapeuta argentina

domingo, 13 de maio de 2012

Queridas mães e futuras mães! Na semana que vem, o Clã de Mulheres da Arca convida para esta vivência de Celebração da Vida, um retiro de conexão com a maternidade/paternidade. Uma homenagem nossa às Guardiãs da Nova Humanidade!



A Maternidade como Rito de PassagemVivência de Inspiração e Retiro para Futuros Pais 19 e 20 de Maio 2012
Toda mulher carrega em si o arquétipo da Grande Mãe geradora e a gravidez é o melhor momento para honrá-lo e celebrá-lo! Por vezes as transformações envolvidas com a chegada de um novo ser ocupam tanto a família que sobra pouco tempo para desfrutá-las. Esta vivência busca conectar-se com a mãe – e pai - que está nascendo, seus desejos e medos, dúvidas e expectativas, em um ambiente natural e acolhedor. Um momento de dedicação exclusiva aos vínculos que estão sendo tecidos, fortalecendo-se e empoderando-se nesta rede de apoio mútuo.
·         Yoga para gestantes, Meditações e Rituais
·         Arte, música e práticas corporais
·         Preparação para o parto
·         Maternidade natural e conectada
·         Alimentação para saúde da mãe e bebê
·         Contato com a natureza
·         Celebração da Vida e Transformação
Para quem:Casais grávidos ou que desejam ter filhos, gestantes em qualquer tempo, doulas, terapeutas e amantes da maternidade conectada.
Facilitadoras:Bruna Barella: mãe, doula, ecovileira, facilitadora de grupos.
Fernanda Poletto: doula, educadora ambiental e antroposófica, ecovileira.
Linda Moritz: artista, terapeuta corporal, facilitadora de danças, rituais e grupos.
Tainá Artuso: mãe, yogaterapeuta, alquimista aprendiz e filosófica. 

Talita Krepelka: mãe, ervas medicinais, cosmetica natural.
Investimento:R$215 (R$296 o casal)
Inclui hospedagem em alojamento e alimentação especial para gestantes.
Informações e Inscrições:
(54) 9901 7745  (54) 9901 7745      (54) 9956 1056   

passagens

Passe por uma experiência forte, dolorosa e bela ao mesmo tempo (e  que há de estranho nisso?) nos últimos meses. Acompanhei de perto o processo de passagem ao mundo espiritual de minha Dinda - para quem éramos os filhos que não teve e de quem recebi o mais terno amor incondicional desde antes do que posso lembrar. As transformações cíclicas dentro da constelação familiar fazem rever nossos caminhos pessoais e estar de corpo e alma em um momento destes leva a soltar as amarras de certos conceitos e certezas que definitivamente pertencem a impermanência como todo o resto.
Me senti em paz neste rito, uma passagem "humanizada", porque a morte é isso, um novo nascimento. Tivemos a oportunidade de ficar com ela o tempo todo - também as primas, os amigos de sempre - desde que a doença cresceu dentro dela, em um final sem intervenções desnecessárias (apenas aquelas que aliviavam o sofrimento suavemente), com carinho, presença e orações. No último momento,  a  Dinda estava a sós com as duas irmãs que lhe restavam e minha Mãe teve a certeza que entregou a mão dela, que segurava delicadamente, para a mão de minha Avó, outra forte mulher que partiu serenamente há alguns anos.

Como a Lua é a vida, com seus ciclos de eterna renovação 

Ontem, na véspera do dia das Mães, quando novamente me reúno com o meu poderoso Clã familiar feminino - entrelaçados os mesmos braços longos para os adeuses que embalam os bebês e amparam a velhice . Um clã que carrega em si (no nariz, na personalidade, em sua próprias vidas e escolhas) a marcante presença de todas que já se foram. Então, me chegou um texto do filósofo Gilmar Marcílio, como sempre delicado e profundo, no qual falava da perda de sua própria mãe, e que me deu um presente de lágrimas nesta frase:

"A lembrança pode ser uma bênção, mas pode ser também um tormento. Todas as palavras se transformam numa só: saudade. Depois de sua morte, o cenário que habito ficou triste, tão triste... Porém, hoje sei que o pó não volta a ser somente pó. Onde houve vida e amor persiste uma janela de luz. Quero atravessá-la lentamente em busca de um novo encontro." Gilmar Marcílio

Como não voltar a escrever tocando este tema? e os ciclos da vida-morte-vida seguem se renovando, a cada minuto...

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Presentes...

Sou uma doula, mulher e mãe realmente agraciada pela vida!  Mesmo sem saber que dia 18 de dezembro era o Dia da Doula – uma iniciativa pra promover o trabalho destas mulheres pelos partos empoderados e felizes – recebi grandes oportunidades de crescimento deste aspecto tão importante em minha vida nos últimos tempos.
Primeiro acompanhar a chegada da pequena Maywa e todo processo de mais uma família (meio baiana-equatoriana- gaúcha-arcaverdiana) se formando com seus desafios e encantos. Depois, por meio destes “cumpadres”, a oportunidade de conhecer pessoalmente a arteira mexicana Naolí Viinaver – cujo trabalho acompanho há vários anos -  e que agora está morando e dando cursos aqui do lado, em Florrianópolis-SC.

Eu, Naolì e Amanda, outra gaúcha. Bah, que momento!

Naolí é mesmo uma mulher bela, vibrante e sábia como uma autêntica xamã da Lua. E tem o humor encantador de todos mexicanos que conheço. Transmite o conhecimento da forma que mais me inspira: uma ‘cuentista’, contadora de histórias. Histórias que cantam e dançam, histórias que nascem devagar ou como um raio, histórias que dão à luz.
Naolì em ação: ensinamentos de uma autêntica xamã da Lua

E, com ela, 40 mulheres poderosas de vários cantos do Brasil. Parteiras, enfermeiras, terapeutas e sobretudo doulas. As “doulas do Brasil”, compartilhando os sonhos, mais histórias e as tantas pedras no caminho de cada uma . Dispostas a rir como música, a se emocionar até mergulhar nas profundezas de suas próprias lágrimas e então a renascer. (Minha experiência com Renascimento, agora pela segunda vez, vale um relato na próxima oportunidade, basta dizer que já não sou a mesma).

mulheres...
Uma autêntica Imersão no mundo da gravidez, parto e pós-parto, na memória ancestral e de vida de todas as mulheres.  Encontrei algumas irmãs, comadres que com certeza já conhecia e outras que apenas vislumbrei o brilho.  Aprendi algo das dinâmicas de calor e frio pra mulher e o bebê, calorosamente, e carinhosamente  trabalhar a força  no manejo dos rebozos. Encontrei  a beleza de algo que já sabia na pele: É preciso amar a mulher eu está parindo. Se não parece possível, é preciso mudar alguma coisa para que se possa amá-la!
mais mulheres...
Bazar de Mães Dadas e sucesso do rebozo!
E como é preciso praticar o que aprendemos, já saí de Floripa direto pra casa de uma adorável amiga grávida, que se encantou com rebozo e com quem troquei impressões bem ao pé do ouvido: da vida, das vidas...depois foi outra amiga que ganhou, agradecida,  uma atenção de pós-parto, com olhos cheios de mar mesmo no alto da serra...Então, a festa do Nascer Sorrindo Caxias, justo no dia 18, feliz coincidência brindada de arco-íris no dia chuvoso -ensolarado. As grávidas também quiseram experimentar a massagem de rebozo, revirando os olhos (realmente é uma delícia!) e todos juntos  contar-se as novidades, e vê-las vivas na forma de crianças alegres correndo e barrigas crescidas. Trocar assim como tocar sempre é bom, curativo. Incrível a  experiência da troca material  onde os valores são outros (como no caso do 1º Bazar de Mães Dadas), onde o que foi usado por um leva a bênção pra outro, onde o que foi feito pelas mãos de alguém carrega seus encantamentos do bem!

Neste tempo em que se fala de presentes comprados e empacotados eu venho agradecer aos presentes sem medida que ganho da graça da vida. E a alegria de fazer girar a roda do dar e receber!

Lara e sua filha pintadas por Naolì: a roda da vida, nosso maior presente!

domingo, 27 de novembro de 2011

Maywa

Mais um milagre aconteceu em nossa Arca! Compartilho a alegria e estado de graça pela chegada de Maywa (significa Violeta em quíchua), filha do Francesco e da Talita, dia 12//11/2011, às  18h49. Uma escorpianina forte, rosada e saudável!
Gratidão pela egrégora de luz de todos (especial dos participantes do Festival Agroflorestal, evento que acontecia naquele mesmo dia!). Talita foi uma guerreira no longo trabalho de parto, as ondas que vêm e vão,  mulher-selvagem que habita na memória ancestral de cada um, reverenciada como  portadora da vida por todos nós!
Francesco foi um autêntico pai da nova era, uma fortaleza serena cheio de amor e encanto. 
Gratidão ao Universo por permitir um nascimento de tanto amor e luz, que mais e mais seres possam chegar a Terra  em Paz!
 

sábado, 29 de outubro de 2011

carta para Andresssa

 Tive a alegria de reencontrar a Dessa, amiga de varios anos, artista e mulher que sempre admirei - e acomapanhá-la no finalzinho da sua gestação e no nício de sua vida como mãe.
Não cheguei para o parto - que foi bem rapido e muito abençoado em outra cidade- mas no dia seguinte, depois de nos falarmos no telefone entre risos e lágrimas, escrevi estas palavras como um presente que compartilho com todos:



Querida amiga! Esta madrugada, vc fez parte de um milagre e se descobriu forte, corajosa e selvagem  como uma Deusa. Estou imensamente feliz por você! Sinto-me gratificada por poder ter te acompanhado em parte desta jornada e espero que continuemos conectadas nesta nova etapa de nossas vidas em comum! Esta noite acordei em certa altura e pensei muito em você. Senti. Assim como já sentia que seria assim, ‘lindo”, como você descreveu.
Também  quero desejar todas as boas-vindas,  cheias da alegre inocência e naturalidade das crianças com quem estava convivendo nestes dias, ao pequeno Gabriel. Um novo ser humano na Terra, que chega cercado de amor e carrega o potencial do infinito. Ao Rafa, a toda esta família que se constrói  e também se redesenha, curando e criando vínculos que perduram gerações transformam o mundo.  Que vocês encontrem (pois sei que já possuem) toda saúde, tranqüilidade, confiança, coragem, abundância  de leite, bom humor, apoio interno e externo  e paciência que precisarem no delicado e delicioso desafio de se tornarem mãe-filho-pai. (E, em menor escala, mas intensamente,  avós, tios, padrinhos, amigos...).
Viva a força da vida, que é maior que tudo (e como falamos disso nestes dias) – acabo de acender uma vela celebrando-a e pensando em vocês!
Uma aura de amor e luz pro seu ninho, nos vemos em breve. Sigo a sua disposição. Sua sempre doula
Bruna, a tormenta

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Para elas - vocês - mães da minha vida...

Pensando sobre tudo isso... enquanto a música toca e me toca. e a voz de Alice (como me encanta!), canta:

Música: Alzira Espíndola
Letra: Alice Ruiz
Poesia: Alice Ruiz


amor que se dedica
amor que não se explica
até quando se vai
parece que ainda fica
olhando você sair
sabendo que vai cair
deixar que saia
deixar que caia
por mais que vá sofrer
é o jeito de aprender
e o teu caminho
só você vai percorrer
se você vence, eu venço
se você perde, eu perco
e nada posso fazer
só deixar você viver


enchemos a vida
de filhos
que nos enchem a vida

um me enche de lembranças
que me enchem
de lágrimas

outro me enche de alegrias
que enchem minhas noites
de dias

outro me enche de esperanças
e receios
enquanto me incham
os seios


amor que se dedica
amor que não se explica
até quando se vai
parece que ainda fica
olhando você sair
sabendo que vai cair
deixar que saia
deixar que caia

por mais que vá sofrer
é o jeito de aprender
e o teu caminho
só você vai percorrer
se você vence, eu venço
se você perde, eu perco
e nada posso fazer
só deixar você viver

só olhar você sofrer
só olhar você aprender
só olhar você crescer
só olhar você amar
só olhar você...


Para elas

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Miguel sem fraldas!

Miguel parou de usar fraldas, mais um passo grande de independência (nossa!). Mais uma lição para uma mãe aprendendo a sê-lo.  No verão, ele ficava peladinho e fazia ‘pipi’ na grama ou no pinico mas era só colocar a fralda e adeus sensibilidade. E eu me inquietava, como será no inverno? Teremos que esperar o próximo verão para continuar o processo? E então,  de repente,  ele começou a pedir pra tirar a fralda e ir ao banheiro (não ao penico, claro, mas ao vaso comum e sem adaptador, pois ele quer ser como a gente). Simples assim, sem oferecer a cada meia hora,  sem situações constrangedoras em público, espero que sem traumas para  ele.

Miguel naturista (e sem fraldas) no fim do verão!
 Independência auto-regulada.... 


Então, como falava com minha amiga Nati ontem, a gente perde o sono imaginando como será e as crianças se mostram bastante auto-reguladas, bastando agir com naturalidade e paciência: para começar a dormir na cama, sentar-engatinhar- andar, desmamar – ainda me surpreendo de como foi fácil! Dormir a noite toda (essa etapa desperta compreensivelmente nossa ansiedade de mães...), falar ou tirar as fraldas.      
Também acabou a fase de lavar um caminhão de panos, pois sim, usamos fraldas de algodão reutilizável – e como! – quase exclusivamente.  Ainda não consigo olhar pra trás e dizer que foi super tranqüilo (a memória seletiva deve cuidar disso mais tarde). Deu muito trabalho, gerou conflitos de casal,  mas eu avaliei que foi a escolha que me causava menos sofrimento. Pra mim, comprar, usar na pele sensível do bebê e  colocar fora (opa, fora da onde? Afinal, trabalhamos diariamente o conceito de que a terra toda é nossa casa!) era muitas vezes a mais difícil que o ritual de tirar o cocô- esfregar com sabão de côco- colocar no vinagre e na máquina - estender –dobrar (passar a ferro foi um passo eliminado nos primeiros meses).

Uma das primeiras imagens de nossa "nova rotina" quando Miguel nasceu. Era só o começo!

Respeito e compreendo totalmente as escolhas de cada um, e pra mim acho que fez diferença o fato de que onde moro, no sítio, não passa caminhão de lixo. Temos que administrar TODO resíduo que produzimos.  Então tentamos compostar a parte orgânica das poucas fraldas descartáveis que usamos e tentar reciclar o plástico. Mas não desapareceram de nossa vida, veremos o quanto ainda vão durar...
Enfim, toda fase traz novas rotinas. Não preciso ter mais uma bolsa enorme com todo aparato do nenê! Mas devo estar preparada pra catar uma árvore pra ele ”regar” às vezes no meio da cidade. Ou largar o prato do almoço pra ir limpar – e celebrar – o “bumbum” (como ele chama o cocô)! Faz parte...O fato é que ele mostra todo dia o quanto amadurece... sozinho, como os frutos.